sábado, 16 de outubro de 2010

Mulheres masculinizadas; ou mulheres que preferem se vestir e agir como homens.

Imagem: Blog do Sukita


A predileção psicológica pela masculinidade e a pretensa feminilidade biológica parecem ter encontrado um equilíbrio em algumas mulheres. (adaptado de: BRENNER, Jam. 1995)
Um estudo de René Grémaux sobre as mulheres masculinizadas dos Bálcãs revela algumas curiosidades. Seu estudo se pautou em quatro casos onde mulheres em tenra idade passaram a viver como homens e assim permaneceram até morte.
A região onde se realizou o estudo é a antiga Iougoslávia, mais precisamente entre Montenegro e Albânia. Região onde prevalece duas culturas, uma exercendo influência sobre a outra - o cristianismo ortodoxo e o islamismo.
A grosso modo, foram as características culturais da sociedade daquela região que atuou como fator predominante na transforamação dessas mulheres. "A casa - uma unidade que combina funções sociais, econômicas, morais e religiosas - estava ameaçada de desaparecer [...]" pois os pais dessas mulheres que se masculinizaram perderam seus filhos ou não os tiveram, restando-lhes apenas as filhas que ora por iniciativa dos pais e ora por decisão delas mesmas para agradar os genitores "transformaram-se" em homens.
Aprofundamos aqui o sentido mais pessoal dessas mulheres, os motivos intrínsecos (ainda que nos falte estudo para isso), sugerimos até que ponto estas mulheres foram influenciadas pela cultura regional impostas pelos pais, ou elas encontraram uma brecha na cultura para viver da forma que mais as agradavam.
No estudo analisado, as mulheres não se tornaram masculinizadas por uma opção de ser relacionar sexualmente. Antes, elas se sentiam mesmo como homens, encararam tarefas relacionadas ao gênero masculino e repudiaram a vida inteira realizar afazeres femininos. Algumas chegaram a matar por se sentirem insultadas quando alguém se referia a elas como mulheres.
Ao que indica o estudo, elas passaram a vida sendo castas. Não tiveram relações sexuais nem com homens nem com outras mulheres. Foram enterradas com roupas masculinas e viviam entre homens bebendo, fumando, caçando e frequentando bares e cabarés.
Fica a dica para buscarmos em outros estudos fatores que elucidam até quando a cultura de um local influenciou nas decisões dessas mulheres ou se elas optaram por um estilo de vida vendo uma brecha na cultura.

Referência:
GRÉMAUX, René. Mulheres masculinizadas dos Bálcãs. In: BREMMER, Jam (org) De Safo a Sade. [trad. Cid Knipel Moreira] Campinas: Papirus, 1996. pp. 199-235.

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